O “eu acho” é injustiçado.

Ele costuma aparecer nas apresentações sobre dados como o vilão da história. De um lado, o gestor intuitivo. Do outro, a organização científica, cercada de gráficos e números.

A vida real não é tão organizada.

O gestor experiente vê coisas que o banco ainda não viu

Quem trabalha vinte anos numa operação aprende a perceber sinais.

Sabe quando um cliente está prestes a desistir. Sente que determinado fornecedor vai atrasar. Reconhece uma obra que começou a perder ritmo antes de o cronograma oficial admitir.

Isso tem valor.

Experiência é uma máquina de reconhecimento de padrões.

O erro não é ter intuição.

O erro é terminar a investigação nela.

A intuição deveria abrir um processo

“Eu acho que quarta-feira vende melhor.”

Ótimo. Temos uma hipótese.

Agora podemos perguntar:

  • melhor em faturamento ou em margem?
  • no salão ou no delivery?
  • em qual horário?
  • com qual mix de produtos?
  • com ou sem promoção?
  • acontece toda semana ou foi um período específico?

Perceba a mudança.

A frase deixou de ser uma conclusão e virou uma porta.

É exatamente isso que uma cultura orientada por dados faz com a experiência: não a despreza; transforma-a em investigação.

Evidência também pode errar

Há outro exagero comum: imaginar que um número encerra a conversa.

Não encerra.

Dados podem estar errados. Comparações podem ser ruins. Uma correlação pode ser tratada como causa. Um indicador pode estar medindo a coisa errada com enorme precisão.

Por isso, não se trata de substituir pessoas por números.

Trata-se de melhorar a conversa entre percepção, evidência e decisão.

A frase que eu prefiro não é “pare de usar a intuição”.

É mais simples:

Troque parte do “eu acho” por “vamos descobrir”.